Diário de Vida: Momentos-Chave

     De maneira particular, acredito que todos tem momentos assim. Alguns mais cedo, outros mais tarde. Mas todos nós, independente de quem, temos estes que gosto de chamar de "Momentos-Chave. São essas partes da vida onde você é completamente destruído, onde seu Ego(no sentido de identidade) é estilhaçado e você é deixado nu frente a sua própria percepção do mundo. Um momento onde você percebe que não é mais a pessoa que você achava que era. É normal pensarmos que para que algo do tipo aconteça, um gatilho seja necessário, uma viajem, um fim de relacionamento, uma nova experiência, uma internação hospitalar, mas as vezes, isso pode acontecer de maneira natural, um momento onde as perguntas começam a aparecer em sua mente e aos poucos elas começam a crescer, até que o estranho espelho mental da identidade se quebre. Nós temos duas opções quando isso acontece. Você pode reconstruir a pessoa que você era antes, reforçando as partes frágeis ou construir uma nova pessoa, diferente e desconhecida, alguém que carrega o mesmo nome, tem os mesmos documentos, conhece as mesmas pessoas, mas em essência, é outra pessoa.

    Eu não sei com exatidão em que momento eu comecei a duvidar da minha própria identidade. Em que momento foi que o meu "Ego" se quebrou. Tudo que eu sei é que eu tenho juntado os cacos desde então. Isso não significa que eu estou tentando reconstruir quem eu fui um dia, apenas que eu quero entender quem essa pessoa era. Eu nem mesmo sei se um dia soube. Identidade de si é algo difícil de entender, você só se toca que ela existe no momento que pensa sobre ela. "Quem eu sou?" não é uma pergunta que faz sentido de tentar ser ativamente respondida porque a resposta tende a ser complexa  demais. O ser humano é um conjunto de "Ser" tão extenso em uma única pessoa que, em minha visão, não seria errado dizer que nossa totalidade comunitária é infinita. Então, quem sou eu? Ou melhor, quem eu quero que esse "Novo Eu" seja? Sabe, eu tenho esse termo que eu gosto de usar, "Perguntas Inúteis". Elas não são inúteis no sentido literal da palavra. Eu uso esse termo para apontar perguntas cujo a resposta é tão complexa que a mera tentativa de achar algo que se assemelhe a uma resposta seria um esforço muito maior doque a que eu estaria disposto a dar. Oque é Arte? Qual o Sentido da Vida? Para onde vamos quando morremos? Qual a minha Fé? Quem sou Eu? Quem eu quero Ser? Todas essas são perguntas que não tenho interesse em responder.

    Mas se não sei quem quero ser, nem quem eu era, nem oque sou, como sei que não quero ser oque era?(O perguntinha filosoficamente difícil de escrever, em!) Instinto. Acho que é simples assim. As vezes, identidade é uma mera questão de instinto. Gostar ou não de quem somos, ou de quem estamos nos tornando é uma mera questão de instinto. Nos últimos tempos eu tenho ativamente me afastado de Videogames(Embora eu tenha quebrado isso pra jogar Clair Obscure, mas ignore), a razão disso é que eu não sabia se eu queria realmente jogar jogos. Eu via meu computador na minha sala, e depois de um dia cheio, na frente do computador no trabalho, a última coisa que eu queria era ligar o computador pra ficar mais tempo na frente da tela. nos fins de semana, eu não quero sair da minha cama, quero ficar tranquilo, com a luz desligada, fazendo incríveis nadas. Eu já mal vejo séries, filmes e coisas do tipo, mas isso é outros quinhentos...ou será que é a mesma coisa? A razão de eu não ver filmes é porque que percebi que "Ambientes" são importantes pra mim. Acredito que a razão de eu gostar tanto dos filmes de Duna é porque eu os assisti no cinema. De maneira despretensiosa. Eu não fui lá PRA ASSISTIR DUNA, eu fui no cinema por que não queria ficar em casa e fiz a primeira coisa que pensei, escolhi um filme qualquer e puff, me apaixonei pelo filme, fiz questão de ir assistir o segundo. Quando meu namorado me deu a box com a trilogia inicial dos livros de Duna, li o primeiro todas as noites(aquele negocio é gigante).


    Hoje em dia, eu penso, "Pra onde quero ir? Quem eu quero ser? Oque eu quero fazer?", mas a verdade é que a vida não se importa com nada disso. A vida simplesmente acontece. Ela nos quebra, e nós nos refazemos ou mudamos, mas ela continua acontecendo. Ela não se importa com os nossos Momentos-Chaves. Ela é uma correnteza em meio ao mar aberto, nos empurrando para onde convém. Alguns podem nadar para alcançar oque querem, outros podem se deixar levar pela maré. Mas no fim, as pessoas que morrem nunca são as pessoas que nascem. Talvez esteja na hora de começar a nadar um pouco.

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