Diário de Vida: O problema chamado "Amor"
Não é a primeira vez que me deparo com esse problema chamado "amor" na minha vida. Mas acho que é o momento mais intenso em que ele tomou raízes. Não. Acho que dizer que tomou raízes é errado. Essas raízes estão aqui já faz muito tempo, desde antes desses dilemas começarem a aparecer.
Eu sempre foi muito conectado com oque as pessoas chamam de "Arte". Teatralidade e Dança, principalmente. Mas sempre consumi, como a maioria das pessoas da minha idade(26), filmes, séries, jogos, animações, musicas, etc... Existe algo em comum entre todas essas formas de manifestação artística. Liberdade. Não me refiro a liberdade no sentido de algo buscado. Mas sim que aqueles que produzem tais manifestações dão a si mesmos o direito de não retratarem a realidade de maneira objetiva direta. Eles se dão o direito de estereotipar, amenizar ou aumentar certas características de suas obras. Lembro de um momento muito especifico em 2016(10 anos atrás, bah.) durante uma aula de Literatura no ensino médio, onde o professor contou como os livros de romance com enfoque no publico feminino sempre se transformam em momentos pivotais da história feminista. Como a ascensão de fortes personagens femininas sempre coincidem com eventos históricos que trazem novos direitos a esse grupo especifico de pessoas. Mas aqui eu já me desviei do assunto. Eu trago essa lembrança para demarcar algo importante. A Arte é capaz de modelar como enxergamos o mundo. Se você, assim como eu, cresceu consumindo histórias de romance, então você provavelmente já se deparou em momentos como os meus. Aquele momento que você nota que o mundo real não tem trilha sonora. Não tem filtro de cor. Não tem câmera lenta. O amor no mundo real é muito mais cinza doque as histórias pintam.
O sentimento chamado "Amor" sempre foi uma coisa complicada pra mim. Eu não sei dizer quando exatamente dizer "eu te amo" virou uma coisa tão leve. Não que isso seja necessariamente ruim. Mas nós sempre ouvimos histórias, tanto de ficção, quanto relatos de pessoas reais, sobre como como essa sequência de três palavras transformam o mundo ao redor. E eu nunca senti isso. Isso me tem feito questionar: "Oque eu sinto é realmente Amor? Eu sou realmente capaz de amar alguém? Ou essa dúvida é só por que eu estou vendo o mundo real atrás do quadro da performance que a ficção cria?" Essa pergunta sempre esteve aqui. Mas hoje em dia, eu sinto que a força que essas perguntas tem são cada vez mais agressivas. A um tempo atrás, conversei com meu namorado sobre essas questões. E ele sugeriu a possibilidade de eu ser oque as pessoas chamam de "Arromântico". Ou seja, alguém capaz de sentir amor, mas que não performa o "romanticismo". Pra ser sincero, esse é um conceito que ainda não entendi muito bem. E quanto mais tento estudar sobre, menos eu pareço entender. Mas me pergunto se isso tudo é realmente um processo deu me entendendo uma pessoa arromântica. Será que essas pessoas passaram por processos parecidos com os meus? Será que elas são pessoas capazes de amar outras, mas apenas de um outro jeito?
Eu não sei as respostas pra quase nenhuma das perguntas que apareceram nesse texto. E eu posso realmente não saber oque é Amor de verdade, talvez eu acredite em uma mentira que a ficção me condicionou a procurar, sabendo que jamais vou achar. Mas a única coisa que eu posso dizer com certeza é que eu tenho medo de achar a reposta, e odiar meu reflexo depois disso.
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