Diário de Vida: Como faz isso?
Para falar a verdade eu não sei como fazer esse tipo de coisa. Desde muito pequeno minha maior dificuldade sempre foi começar. Quando se trata de dar prosseguimento normalmente eu consigo me virar e, embora algumas pessoas digam que possuem dificuldades em terminar as coisas, essa pra mim foi sempre a parte mais fácil do processo, os fins.
Eu me chamo Tiago, mas a maioria das pessoas me chamam de Urii por ai na internet. E, pra ser sincero, esse é um nome mais confortável pra mim no mundo virtual, então eu provavelmente vou usar esse nick pra me referir a mim mesmo neste blog. Eu não sei muito oque eu poderia falar de mim. Eu tenho 24 anos. Na data em que comecei a escrever isso, pelo menos, nem sequer sei se terei a coragem de terminar de escrever, quem dirá de publicar. Mas agora que isso aqui está criado, acho que é melhor eu fazer pelo menos a primeira postagem pra não dizer que desisti antes de tudo começar hahahaha. Eu nasci e cresci em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul chamada Santa Maria. Diferente do que talvez você esteja imaginando agora, eu não possuo muitas memórias felizes nessa cidade. Foi nas escolas desta cidade que eu apanhei e sofri bullying por ser diferente. Foi nas ruas dessa cidade que eu caminhei aleatoriamente por horas a fio, desesperado pra encontrar alguma coisa que me fizesse não querer morrer. Foi no hospital da universidade desta cidade, que eu perdi meu pai, meu melhor amigo. Eu não tenho vínculos com essa cidade, apenas com as pessoas que vivem nela. Eu tenho uns três ou quatro conhecidos amigáveis, tenho um bom amigo que posso confiar, e um namorado amoroso que sempre está do meu lado. Fora isso, meu circulo interno mais próximo se encontra, na verdade, espalhado pelo Brasil, amigos que, a partir de um hobby em comum, hoje são pessoas que sei que posso confiar em momentos de necessidade, mesmo que não estejam presentes corporalmente. Você pode estar pensando "isso já é ótimo" ou "já ta melhor que muitos". Eu entendo isso. De verdade. Mas não diminui o peso dos remédios que eu preciso tomar para conseguir querer me manter vivo.
Sabe, uma das minhas grandes paixões que já morreram é a dança. Eu até fiz alguns bons semestres de Bacharelado em Dança pela Universidade Federal de Santa Maria....mas algo mudou de lá pra cá. Sabe, uma coisa sobre o meu eu artista é que ele existe de muitas formas. Escrita, atuação, dança, design. Sempre gostei da arte, e por alguns anos, me dediquei a dança e, se me permitir soar um pouco arrogante, acredito que o estilo que desenvolvi era muito agradável a quem assistia. Contudo, coloque um prazo em um artista ou o obrigue a produzir para cumprir algum tipo de meta, e veja a chama dele se extinguir em cinzas pouco a pouco. A obrigação da faculdade, somada a interminável pressão auto imposta de que eu teria me dedicado a algo que não colocaria comida em minha mesa, matou a minha paixão e me fez passar pela minha "primeira morte".
Hoje, encontro na escrita e nos jogos, o refúgio que a dança um dia foi. Os jogos vieram primeiro, os infinitos mundos, as infinitas vidas, as infinitas experiências que eu poderia ter e aprender com. Dentre esses jogos, o RPG de mesa se tornou uma parte integral de expressar minha potência criativa. Um tipo de jogo onde eu posso ser, literalmente, quem eu quiser e tomar escolhas que, de outra forma, eu jamais teria a coragem. Com o tempo, apenas jogar não foi o bastante. Eu queria criar. Criar meus próprios mundos e ver eles sendo transformados pelos outros. Com isso, a paixão pela escrita nasceu. Embora eu preciso admitir, eu não sou do tipo que lê. Eu teria que ter um ótimo motivo pra tocar em um livro. Embora meu namorado, um leitor assíduo, esteja trabalhando para mudar isso. E pra ser bem sincero, tem funcionado bem, até tenho lido um livro nacional recentemente muito interessante, quem sabe eu não fale um pouco sobre ele no futuro?
É isso? Eu consegui? Tá. Bizarro, na verdade. Sabe, eu comecei isso aqui com o intuito de falar sobre mim, coisas que eu gosto e coisas que eu quero falar. Não vai ter temática muito definida, não. Já vou avisando agora. Mas sei lá, no fundo, acho que isso é mais pra mim, do que pra qualquer outra coisa ou pessoa.
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