Dragon Age parece bom, né?
Sabe aqueles jogos que você sempre ouviu falar, parece que todo mundo conhece, mas você nunca de fato, viu nada a respeito além de uma meia dúzia de imagens aleatórias completamente desconexas? Toda a série Dragon Age foi bem assim comigo. Um dia, olhando uma live do State of Play, eu me encantei com uma gameplay do que seria o futuro jogo da série. Sendo uma pessoa LGBT, eu obviamente fiz a coisa mais saudável possível, e fui olhar o chat pra ver se as pessoas se encantaram tanto quanto eu com a gameplay do jogo. Não preciso dizer que todos os comentários podiam ser divididos em três categorias distintas. O primeiro grupo, o menor dentre eles, parecia ter gostado doque viram e pareciam agradecer pelo jogo ter seguido uma direção mais orientada ao combate ágil e rápido. O segundo grupo, parecia ter ressalvas quanto a mudança de estilo, que antes, se inspirava em jogos um pouco mais antigos, com os primeiros dois jogos da série Baldur's Gate, um estilo de jogo que, por meu contato com World of Warcraft, acabou mais me dando a impressão de ser um MMO offline onde eu controlo múltiplos personagens doque de ser um jogo offline em sí. E o terceiro grupo, esse que apenas aumentou ainda mais minha vontade de jogar esse novo título, uma vez que pareciam estranhamente organizados, dizendo como o jogo possuir cores mais vibrantes e um estilo de combate, nas palavras deles, mais facilitado, levaria o jogo a uma direção "woke". Obviamente, o meu já existente desejo de experimentar o jogo foi elevado com tais comentários.
Eu então instalei o primeiro jogo da série, Dragon Age Origins, que eu havia adquirido alguns anos atrás quando uma promoção onde todos os jogos da saga estavam por um ótimo preço(mesmo que, na época, eu não pudesse jogar por conta das limitações tecnológicas do meu computador, mas isso a gente ignora). Imagine a minha surpresa quando descobri que a famosa maga de tantas fanarts por ai era, na verdade, a Morrigan.

Obviamente, joguei todos os jogos da série, para conhecer o universo e entender como ele foi mudando com o tempo para, quando eu ficasse perdido em informações no Veilguard, eu saberia que é uma informação que de fato ainda não foi falada, e não algo que se esperasse que eu já soubesse por conta dos jogos anteriores. Deixarei para falar sobre a minha jornada nos Dragon Age Origins, 2 e Inquistion em, quem sabe, uma postagem futura, hoje quero falar um pouco sobre a minha opinião até o momento que estou no jogo, isso é, quase no final do primeiro de três atos, oque, no meu save, da 48 horas. Para aqueles que já jogaram, considerem que eu reuni todos os companions, mas não fiz absolutamente missão nenhuma além disso.
Agora, sobre o jogo memo.
A única raça que faltava eu jogar na franquia era os
Qunari, e como a classe mago parecia muito divertida(
Spoiler Alert: é muito, de fato), eu resolvi usar essa combinação. Dentre os antecedentes, eu fiquei muito interessado entre os Guardiões Cinzentos e os Corvos, obviamente influenciado pelos jogos anteriores. Contudo, ao ler oque cada facção representava, eu me senti na obrigação moral de jogar com um Dragão Sombrio, uma facção que luta pra libertar escravos na única nação do mundo que mantem a escravatura? Parece bom pra mim. E de fato, essa combinação tem sido muito divertida até o momento.
Uma das coisas em que eu torci o nariz quando vi o jogo pela primeira vez, foi o sistema de progressão de item. Ao encontrar um item que eu já tenha em minha posse, eu não recebo uma cópia dele, mas o primeiro item recebe um aumento de atributos base e libera novos efeitos. Como eu disse, eu não gostei disso em um primeiro momento. Não fazia muito sentido na minha cabeça. Hoje, eu já amo o sistema. Várias vezes eu já troquei de equipamentos por conta de uma habilidade especifica de um dos meus itens que eu liberei por abrir um baú durante minhas explorações. Uma vez, conversando sobre esse sistema, um bom amigo meu,
@luci.ilustra, falou como parecia uma forma inteligente de evitar que a exploração coloca-se um monte de item inútil no inventário. E eu super concordo com ele agora. Eu sinto o meu tempo respeitado quando abro um baú, mesmo quando o item que eu encontrei, ou que eu tenha evoluído, não é um que seja bom para minha build
no momento.
Outra mudança de perspectiva, essa que trouxe muitas críticas ao jogo, algumas com fundamento, outras obviamente feitas por pessoas que apenas queriam falar mal do jogo, é como os companions passaram e funcionar. Nos jogos anteriores, uma das minhas maiores frustrações era como eu tinha que, constantemente, trocar entre os personagens do meu grupo para determinar oque cada um faria, caso contrario, era questão de tempo até algum dos personagens se matar "de bobo". Agora, os companions são personagens independentes, agindo a seu bel prazer durante o combate, eles não possuem vida, nem recursos secundários para gerenciar. Tudo oque eles possuem são alguns efeitos específicos determinados pelo equipamento que eles estão usando, e uma seleção de três entre cinco habilidades. Você pode ativar essas habilidades usando a Roleta, um sistema que eu ,particularmente, me adaptei bem rápido, e hoje, acredito que deixa o jogo bem mais dinâmico doque pausar, trocar de personagem, escolher oque ele vai fazer, despausar.

Os companions, até então, tem sido o ponto alto do jogo pra mim. Cada um com sua própria personalidade, qualidade e defeitos. Todos são pessoas que tu iria querer ir junto dar um role num bar. Mas acho que minha parte favorita deles é como, mesmo os mais inocentes, não são imaturos. Teve um momento do jogo onde precisei fazer uma escolha bem difícil. Tal escolha levou uma conclusão catastrófica para um dos personagens e, embora ele obviamente não tenha gostado disso, ele foi bem claro sobre como meu personagem não te culpa, pois não tinha escolha certa ali. Isso é um tipo de coisa que me pega, o drama não veio de ladainhas sobre "Como você pode não escolher oque eu queria?" mas sim, de lidar com as consequências de escolhas que fazem você levantar da cadeira e ir fazer outra coisa só pra não precisar escolher. Lembro de alguns momentos em Dragon Age 2, onde ficava mais de hora fazendo outra coisa só pra não precisar fazer algumas escolhas impossíveis que o jogo me obrigava a fazer. Todos os companions são adultos, todos entendem a gravidade doque está acontecendo no mundo, e eles seguem sua liderança, pelo menos, por enquanto, até a parte que eu cheguei no jogo. Embora eu tenho certeza que algumas das escolhas que eu já fiz estão muito bem preparadas pra explodir na minha cara daqui um tempo. Mas até lá, continuo aproveitando a paz que é finalmente não precisar lidar com companions que se acham incríveis por serem babacas com as outras pessoas gratuitamente. Sim, eu estou falando com você Morrigan.
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