Diário de Vida: Ano Novo e o medo de novos começos

     Chegamos naquela época do ano em que as pessoas começam a falar sobre mudança, sobre transformação, sobre "nunca é tarde pra começar".  Eu acho que o maior problema desse tipo de conteúdo/falas é o quão "oportunas" elas parecem ser. Sempre nas mesmas épocas. Eu não vou meter um discurso pra você sobre como o "agora" é mais importante pra começar novas jornadas e que o resto do ano são momentos tão importantes quanto e blablabla. Você sabe. Já ouviu esse discurso um milhão de vezes assim como eu. Então eu te pergunto, oque eu estou fazendo aqui, escrevendo essa postagem? A resposta é simples: Eu não sei.

    Não faço a menor ideia de oque estou fazendo. Como eu estou me organizando pra começar a produzir conteúdo de maneira mais frequente nas outras redes, acho que estou simplesmente jogando pra fora meus medos com relação as coisas que vão acontecer no ano que vêm. Em breve, vou me mudar, morar sozinho, em uma situação onde não tenho um emprego. Tenho economias pra uns dois, talvez três meses, mas depois disso, nada. Tenho corrido de maneira incessante pra conseguir um logo. Somando isso, começar a morar sozinho definitivamente trás desafios por sí só. Pra ser completamente honesto com vocês, eu admito que sou um adulto bem disfuncional. Tem muita coisa sobre cuidar da própria casa e da própria vida que eu simplesmente não sei. Vou ter que apanhar muito da minha própria incompetência pra poder me virar. Mas é aquilo, as vezes, falhar é a melhor forma de aprender. 

     Eu não admito, mas não morar com minha mãe e irmã machuca um pouco. Principalmente com minha mãe. São 24 anos da sua constante vigilância, proteção, amor e carinho. Agora, de repente, vou entrar em casa e ela não estará lá. É assustador. É claro, existe uma vontade de liberdade que nutro a alguns anos que vence esse medo. Eu preciso saber quem sou, do que realmente gosto e pra onde quero levar minha vida e, infelizmente, eu preciso me afastar pra poder alcançar isso. Preciso passar por perrengues para que eu posso amadurecer de verdade. Talvez possa até soar como ingratidão, mas não acho que eu seja capaz de ser realmente feliz enquanto estiver junto dela.

    Tudo isso me leva a um caminho onde sou incapaz de ver oque me aguarda no futuro. Talvez eu precise voltar correndo em três meses porque não consegui um emprego ou talvez eu viva aos trancos e barrancos a base de extremas dificuldades ou talvez eu simplesmente consiga me estabelecer e viver uma vida tranquila(o quão tranquila uma vida adulta normal consegue ser, ao menos). Quando olho para esses textos, vídeos ou qualquer outra coisa sobre a virada de ano, sobre novos ciclos, sobre "comece agora", a maioria diminui o peso das incognitas que uma nova jornada atrai. Eles podem até reconhecer que elas existem, mas falham, propositalmente ou não, em repassar o peso que elas representam e que elas devem SIM ser consideradas.


Se o presente é o melhor momento pra começar, então o futuro é as perguntas não respondidas, tão importantes na vida, mas tão odiadas sem motivo.

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