Diário de Vida: A Catarse de se expressar

    Sabe, eu percebi uma coisa sobre mim. Duas, na verdade. A primeira é EU NÃO SEI ME EXPRESSAR DIREITO, QUE ÓDIO. A segunda, é o quanto eu precisava tirar as coisas que escrevi do meu peito.

    Escrevendo pra esse blog eu percebi o quanto eu tenho dificuldades em me expressar. Eu gosto de me abrir, falar sobre coisas que estão entaladas na minha garganta a muito tempo. Falar sobre as dores no meu coração e as cicatrizes na minha alma. Extravasar as coisas que, no meu dia a dia, eu tenho medo de deixar sair das profundezas da minha mente. Jogar pra fora aquilo que, muitas vezes, eu nem mesmo sabia que eu escondia. Esse tipo de coisa é provavelmente um ponto em comum entre você e eu. Aquela angustia de ter que engolir seco os desrespeitos. Ter que se esforçar para ser uma pessoa de consciência limpa em um mundo onde parece que mais ninguém se importa com isso.

    Lendo as outras postagens, eu percebi o quanto eu tenho dificuldade em achar as palavras certas pra jogar tudo pra fora. Muito provavelmente, isso vem de anos e mais anos sentindo que eu preciso esconder quem eu realmente sou e oque eu realmente penso pra conseguir ser aceito nos meus meios e, por consequência, sobreviver. Engraçado, né? Para um artista que se orgulhava de como se expressava no palco, falar sobre sí se tornou meu maior desafio. Tudo oque eu escrevo parece uma sequência de pensamentos desconexos e aleatórios que, de alguma forma, possuem um mínimo de sentido gramatical coerente a partir de uma temática comum. A qual eu sinto que não consigo desenvolver direito. É até meio doloroso de ler, pra falar a verdade. Eu também venho percebendo algo parecido nas minhas conversações. O jeito com que eu me atrapalho e me perco constantemente no que estou dizendo, repetindo o mesmo início de frase de novo, e de novo, e de novo, até finalmente conseguir organizar as ideias na minha cabeça e ter um mínimo de coerência para aquele que escuta. Eu comecei a ter raiva de mim mesmo por conta disso. E é meio difícil não ter, uma das consequências de se esconder é, no fundo, achar que isso é culpa sua, que você não deveria ser do jeito que é ou pensar oque pensa, então você fica bravo consigo, por não conseguir deixar quem você é de verdade sair. Eu sei que isso é um pouco mais comum do que a Internet ou os programas de TV deixam a entender, mas eu não consigo não me sentir frustrado sobre esse tipo de coisa. É chato, desconfortável, e no fim do dia, atrapalha a comunicação para com as outras pessoas.

    Mas sabe, ao mesmo tempo, escrever pra esse blog se tornou algo um tanto quanto catártico. Uma liberação de sentimentos e emoções que se prenderam ao meu "eu" de hoje e que agora abrem espaço para um "eu" de amanhã. Quando escrevi sobre sonhos, em outra postagem, falei sobre como tenho medo do futuro. Como não consigo ver um caminho a frente, como parece que o meu destino é fracasso. Acho que a principal forma que o mundo em que vivemos tem de nos controlar hoje em dia é isso,  reprimir esse tipo de pensamento e nos fazer  quietamente sentir o terror da incerteza futura. "Talvez você não esteja trabalhando amanhã, você precisa juntar dinheiro. Mas você também precisa aproveitar essa chance de gastar dinheiro neste item ou serviço que nunca mais estará disponível apenas hoje compre". É claro que isso é só um exemplo. Eu mesmo estou precisando aceitar que sou péssimo em economizar, mesmo que esteja em uma situação de vida em que eu precise de cada centavo. Mas acho que esse é um tópico para uma outra postagem, e meio que estamos todos nessa situação, né?

    Escrever pra esse blog me fez perceber o quanto eu precisava disso. Dessa forma de jogar as coisas pra fora, para assim, quem sabe, abrir espaço para construir um eu "pelo qual ainda vale a pena lutar". Por mais difícil que seja aceitar quem sou, espero um dia, olhar no espelho, e não ver apenas um rosto apagado ou um nome borrado.

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